Sobre amigos, referências e saudades

on domingo, 12 de outubro de 2014
Não sei bem como é isso, às vezes algo estranho me invade e de repente sinto um vazio, uma angústia, uma sensação de incompletude. É possível que seja uma sensação natural, que todos sintam o mesmo, ou não. Às vezes penso que vivo em uma inércia, que embora tenha muitos sonhos tenho medo de buscá-los. Na verdade, tenho medo de não dar certo e por conta disso fico criando uma série de desculpas pra mim mesmo. Talvez essa seja a causa da "incompletude", pelo menos é disso que tento me convencer.

É triste quando vejo alguém e meio que invejo a vida da pessoa, ou seria a sua aparente felicidade que me causa inveja? Acho que é isso. Quero aquela... espontaneidade, não sei bem o que é. É provável que seja inveja dos amigos, não deste ou daquele em específico, talvez seja apenas falta de amigos que me causa esse vazio, e isso, inerentemente, acarreta em uma falta de referências.


O amigo, aquela pessoa com a qual você, desabafa, fala daquele livro que leu na semana passada, das músicas que escutou ontem, faz armações, pega manias, aprende valores, forma opiniões, briga e concilia, aquela pessoa com a qual você constrói uma relação em que você modifica e é modificado. Todos os pequenos detalhes que são aprendidos na interação entre nós e nossos amigos que acabam contribuindo para a construção da nossa identidade. As ideologias e convicções que são aprendidas no contexto de amigos e familiares são o que nos definem, que nos tornam quem somos. Perder o contato com esse contexto, renegar as próprias origens - mesmo que de modo inconsciente -  é o mesmo que se desligar de você, quase uma perda de identidade. O que é uma pessoa sem referências, sem ter pra onde/quem voltar e receber um afago? Como olhar para os lados e notar que tudo o que te tornou o que é hoje na verdade ficou pra trás? É o que me pergunto quando olho pra trás e o que vejo são antigas amizades.  Não queria ter que usar esse “antigas”, queria carregá-las comigo sempre, mas não sou desses.  Não sei ser desses!!! As pessoas passam por mim, com algumas eu aprendendo com outras nem tanto, só passam mesmo... Em alguns momentos parece que as pessoas são descartáveis pra mim. Depois desse descarte o que fica é um sentimento de saudade do que não existiu, ou do que poderia ter sido.

É provável que tudo isso se sintetize em arrependimentos. Por ter investido errado, ou pouco no lugar que hoje considero certo. Não sei como não vi isso antes, as pessoas são fascinantes principalmente quando as cativamos e a partir daí se tornam nossas amigas. Como se diz em o pequeno príncipe “tu se tornas eternamente responsável por aquilo que cativas” queria ter cativado alguém o estar sob a "responsabilidade" de alguém.

A ausência de amigos faz com que você encare o mundo e as pessoas apenas como números, mais uma pessoa. Você não vê o que há que cativante nas pessoas. Agora falo como um matemático, se há algo que aprendi é que um número não tem sentido sem um contexto, ele por ele mesmo não passa de um símbolo sem significado.

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