A hora é agora!!

on quinta-feira, 25 de dezembro de 2014
É fim de ano e os sites, TV's, revistas e cia começam a elaborar seus top's 10 com o que foi mais relevante no ano de 2014 e as promessas de 2015. Ao mesmo passo, nas ruas há milhares de micro-lâmpadas, presepadas e presépios de Natal que juntos causam um belo efeito visual e refrescam a memória dos mais desavisados, como eu, de que é fim  de ano. É época do bom velhinho e de pular 7 ondas do mesmo modo que os babuínos pulam de árvore em árvore. É época de inundar os templos de consumo e fazer promessas de que, como diz Roberto Carlos, daqui pra frente tudo vai ser diferente. 

Por sua vez, no ceio das famílias, os não tão bons costumes preconizam que neste período devemos pregar a união, o amor ao próximo e a caridade. Juntar a família em torno de uma farta ceia de Natal, fazer um tedioso discurso falando sobre como amamos as pessoas que nos circundam e como já esquecemos os deslizes que essas pessoas fizeram conosco seguido daquele amigo secreto com presentes (des)acertados. E não esquecer daquelas ações pré-ceias, doar os brinquedos velhos do filho para as crianças muito pobres, ou ajudar algum necessitado de algum modo, sim, exatamente desse modo genérico e impessoal. Essas ações fazem as pessoas acreditarem que vivem a santa tríade, que nas festas de fim de ano tomam uma maior dimensão, união-amor-caridade. 


Nesses eventos as pessoas costumam exibir as suas conquistas do decorrer do ano. Claro que em suas falas as pessoas nunca retratam as suas tentativas frustradas que conduziram a essa vitória, tampouco deixam transparecer que houveram derrotas e projetos que foram engavetados simplesmente porque não conseguiram executá-los. Também há o hábito de usar suas melhores indumentárias - juro que não entendo a necessidade de usar belas roupas, de gastar horas se arrumando para se apresentar a pessoas que conhecemos bem e que nos conhecem "por dentro", ou pelo menos deveriam, a família e amigos. Nessa mesma ocasião, a ceia, as pessoas comem como os flagelados da África quando em contato com comida - sem preconceitos - e sentem-se bem, porque estão em família, portanto, na mente deles, unidos e celebrando o que o nosso senhor - que não é o meu - Jesus, o cristo, pregou em sua peregrinação entre os mortais. Essas pessoas ceiam com suas mentes tranquilas já que acreditam que já fizeram a sua caridade ao dar um presente a uma, ou duas, ou três, ... crianças necessitadas. São, portanto, bons sujeitos. 

Não posso ser tão radicalista e dizer que que eles não praticam a santa tríade união-amor-caridade, pelo menos em um período de 15 dias isso acontece em pelo menos duas ocasiões, Natal e Ano Novo. O curioso é que todo sentimentalismo que toma as pessoas no Natal e fim de ano se extingue no 1º de Janeiro, que não deveria se chamar dia da confraternização mundial e, sim, dia mundial da desumanização. Desse dia até no novo período natalino as pessoas se importam somente com seus umbigos e seus desejos de consumo. Daí me pergunto como é que as pessoas se modificam tanto em tão pouco tempo, no período das festas de fim de ano. Será que realmente isso acontece? Acho que no fim das contas é um quase ódio, separação e "não-caridade". É no mínimo estranho pessoas que passam 11 meses com um modo de vida e repentinamente tornam-se um modelo de humanitarismo. Todo esse sentimentalismo e bom mocismo é uma grande farsa de fim de ano. 

Se queremos ser caridosos, podemos estender a mão a um necessitado agora mesmo no 25 de Dezembro ou no 28 de Maio. Se queremos pregar e demonstrar o amor que temos pelo próximo que façamos assim que vermos a pessoa amada. Se queremos união que deixemos mais espaços para aqueles que queremos nos agregar. Mas o importante é não esperar um período específico para exercitarmos isso de modo artificial e efêmero. Essa santa tríade não-natalina-de-fim-de-ano, união-amor-caridade, deve ser um exercício diário e deve começar agora!!

0 comentários:

Postar um comentário