Sobre babuínos, mata atlântica e felicidade

on segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
Pra um baiano que se preze hoje é o primeiro dia do ano! Os outros 4 dias que antecedem esse eram apenas uma amostra grátis do carnaval com direito a Ivete e Claudinha Qualhada no centro da cidade. Eram exatamente 6 da madrugada quando os sinos da igreja da Nossa Senhora do Maldito Parto começaram a soar em uníssono dentro da minha cabeça fazendo os meus tímpanos vibrarem eloquentemente de angústia e desolação, era o sinal de que o dia e o ano acabavam de começar. 

Ainda não era a hora, mas, com muito esforço e me arrastando do mesmo modo que uma cobra busca uma presa, me levantei e iniciei o meu sacro rito matinal. Café preto, forte e amargo uma dose de notícias e outra de drogas - lícitas é claro - e mais besteirol nas net. Combinação perfeita! Depois, banho, indumentárias vestidas e perfume, que ainda não é francês, ainda!

Inicio a minha caótica jornada rumo ao conhecimento. Caminhada, ônibus cheio e gente que ficou estagnada no período paleozoico, pelo menos a educação deles é condizente com este período. Por fim, UFBA!!! Ah, UFBA. Meu novo amor. Embora a primeira vista tenha julgado estar em um um zoológico humano, tamanha é a diversidade de cor, tipo estético, credo e cia... É a diversidade, um brinde a ela! Aposto que vi um babuíno chupando manga logo ali, atrás do instituto de física nuclear, pendurado em um pé de bambú. E não duvido que aquele vulto amarelado fosse uma onça em busca do seu desjejum matinal.

Dez horas. Sigo as pessoas que corretamente supus serem os meus colegas de classe. Todos chatos! Não, não falei com nenhum deles, mal dei bom dia. Talvez o rasta que lia um livro de William P. Young, possa ser um bom sujeito. Os nerds, são chatos por natureza, sempre são! Todos. Só falam de teoremas e resultados e demonstrações e ... vai te catar. As meninas são como o previsto, pelo menos em sua maioria, não tem um elevado capital estético e carecem de senso de moda, estilo, e simpatia. O silêncio que se espalhava de modo contínuo e uniforme na sala só foi rompido pelo sonoro e simpático BOM DIA da meiga professora Lúcia, um amor de pessoa. A aula passa quase como uma picada de seringa, você sente a picada, quando a agulha entra, mas não sente todo o resto. O que mais impressiona é que alí, na UFBA, a Universidade Federal da Bahia, a federal tem gente como a gente, tem gente normal, que estuda, se mata de estudar e faz pergunta simplista. Me senti tranquilo e confortável quando notei a primeira asneira deslizando pela boca de um colega. Pensei, não estou só! Aleluia.

A aula termina, como disse, nem senti. Inicio a minha galgada de volta para casa. Back home. Volta pra casa uma poha naquela universidade grande da desgraça sem sinalização. Que demônio!!!! Mal havia saído do pavilhão de aula e já havia me perdido. Pode isso Arnaldo? Isso não importa o que importa não é se perder é se achar, ou melhor o que acha. A biblioteca!!!!!!!!! Me tranquem lá e joguem a chave no lixo, façam disso uma tortura medieval. Que lugar, que espetáculo! Finalmente achei a tal saída e ganho, como recompensa pelas gotas de coriza oferecidas a uma amendoeira, uma amendoada na cabeça, claro, nada mais natural. Como isso doí. Minutos após, estou eu com a cabeça latejante em um sol escaldante esperando um ônibus de periodicidade insignificante. Nossa, quanto ante. 

Pra minha glória, chego em casa, inteiro, com fome, sono e muita coisa pra fazer. E amanhã tem mais, espero que de um modo completamente novo, diferente. Na verdade, a única coisa que eu quero que se repita seja aquela sensação de querer que tudo dure um pouco mais, que por mais um minuto, um segundo eu continue sentindo aquilo, a felicidade! 



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